meu novo lema
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enfermeira, momentos, vida
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Estive lá....
Por acreditar....
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OMG
Fui nomeada na categoria da saude...
É a loucura
FELICIDADE
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A trabalhar para concretizar....
Começa a construção de um sonho....
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Tenho andado com a cabeça a mil, porque resolvi correr a trás de um sonho e abrir a minha empresa juntamente com uma amiga que partilha o mesmo sonho ou muito parecido.
Agora, isto dá um trabalhão, pois imaginem eu e ela somos da área da saude e desposto, misturar contabilidade, finanças, legislação.... bla bla bla
Coisas que náo percebo nada....
As ideias estão a surgir e a concretizar se, os planos a serem definidos, ainda tudo no papel mas com certezas em certas decisões...
Agora, quando começo a pensar, que depois vamos ter que encontrar um espaço (ainda jeitoso) e aluga-lo/compra-lo, onde está o pilim, carcanhol, euro, massa, etc...
Numa zona do pais onde só o nome aumenta logo 30% a 50%...
Mas vamos lá ter coragem e pensar uma coisa de cada vez....
EU ACREDITO
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BOA NOITE....
Ando a trabalhar nisto....
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E esta semana vem mais uma greve da enfermagem, mais uma neste ano de 2018... o que mudou quase nada, mas mudou alguma coisa....
Continuo a achar que somos uma profissão muito mal paga, muito descriminada na sua importância, estamos num país que só alguns ganham bem e outros ganham para o dia a dia, o que mudar? O que melhorar?
20 anos de profissão sem sair do mesmo sitio, a ganhar como acabada de sair da universidade....
Não sou muito de greves, por o meu primeiro pensamento, vai para aqueles que precisam dos cuidados, mas estou desanimada e estou FARTA....
Ainda tenho mais 20 anos pela frente, com mala ás costas para fazer os domicilios....
Enfim....
E os novos onde tem o seu espaço se os velhos não saem....
Hoje um colega de nome Nuno Correia, publicou no facebook :
Oiço e perguntam-me muitas vezes... O que é ser enfermeiro?
Os enfermeiros ganham bem e não fazem nenhum, que sorte!!!
Porque escolheste isto?
"Dar picas?"
"Trocar fraldas?"
"Querer ser médico e não conseguir?"
"Ah!!! É só folgas!!!"
Confesso que no início estas questões me irritavam um bocado. Doze anos depois começam a ser engraçadas. De tão inconscientes/ parvas que são.
Eu vou-vos explicar o que é ser enfermeira (o).
Aqui, ninguém dá picas meus caros.
Vacina-se, segundo um plano nacional de vacinação,que se trata de injectar uma substância derivada, ou quimicamente semelhante, a um agente infeccioso particular, causador de doença. Esta substância é reconhecida pelo sistema imunitário do indivíduo vacinado e suscita da parte deste uma resposta que o proteje de uma doença associada ao agente.
A única coisa onde há "picanço" aqui é entre aquilo que injectamos e o vosso corpo responde.
Incrível não é?
Injectam-se também fluidos (alguns até têm cores!!! Imaginem! Que loucura!!!) num acesso vascular que permite curar muitas coisas para que a vida continue.
E isto sim, dá muita pica. Para quem o faz. E não para quem o pergunta.
Trocar fraldas? Nunca tive uma cadeira na faculdade sobre isso.
Nem preciso.
É inato ao ser humano. E deve ser dos actos mais dignos que se fazem a alguém. Acreditem.
A dignidade começa quando conseguimos atingir a incapacidade de alguém.
E talvez um dia percebam, principalmente quando precisarem, o quão gratificante pode ser ter alguém que nos ajude a não perder a dignidade.
Porque sem ela, nada mais importa.
Ser médico e não conseguir?
For God's sake.
Quem trabalha e desenvolve o conceito de equipa sabe e entende perfeitamente que não seríamos uns sem os outros. E as escolhas foram feitas porque foi intrínseco.
E que não há como nem porquê misturar as coisas.
É só ridículo.
A saúde é baseada numa equipa multidisciplinar que luta e trabalha em conjunto todos os dias para salvar alguém. E sim, vai muito além de enfermeiros e médicos.
E não, não somos os anjos super heróis de branco que surgem do nada. Se eu quisesse ser anjo teria tirado o curso da nuvem e neste momento tinha duas asas nas costas, que anatomicamente não me seria muito favorável e estaria a divertir-me a atirar setas.
É acordar, com problemas, como toda a gente, e fazer um reset ao que nos desgasta, e dar o nosso melhor. E acreditem, há dias que não é nada fácil.Mas supostamente tem que ser não é?
É ter a capacidade de lidar com o stress entre a vida e a morte. Saber que o limiar é pequeno e que não pode haver falhas.
É sentir o arrepio na pele, de quando entra alguém, fechar os olhos e pedir por favor para que não seja ninguém que conheçamos.
É sentir o arrepio de uma frequência cardíaca num monitor que diz zero. E ter que substituir o coração de alguém com as nossas multi mãos e multi conhecimentos para que o sangue circule e que o zero desapareça. Em equipa.
É lidar com a morte. Com decisões difíceis. Com situações difíceis. Com o mais puro e desesperante sentimento humano.
Engolem se lágrimas, respira se fundo. E siga.
E há dias muito mais longos que as horas mostram no relógio.
Garanto-vos.
É abdicar de natais, passagens de ano, feriados, família, amigos, de fins de semana, só para estar ali.
E não, isto não é das coisas que nos tornam incríveis. Foi o que escolhemos.Mas que custam. E muito.
É passar noites em claro, às vezes com um olho aberto e outro fechado, com a consciência de estar sempre alerta para saber identificar focos de risco e evitar tantas desgraças.
E tantas vezes antecipar atitudes.
É ser maltratados. Acontece muitas vezes a quem está na linha da frente.
E é lamentável. É chegar a casa chateado e muitas vezes triste pq nada disto faz sentido. Sim, não faz sentido levar no lombo e mesmo assim gostar!
Também é Dar a mão,a palavra e o sorriso.
A quem nunca teve quem lha desse.
E as vezes, só isto, cura tanta coisa. Mas tanta coisa.
É malhar duro, em um ou dois ou três sítios sempre com a noção de tentar fazer o melhor porque infelizmente precisamos de outras coisas. Que não precisaríamos se fossemos reconhecidos por aquilo que fazemos.
É receber críticas dos super espertos, que se limitam a observar sem fazer nenhum. Que vida incrível... mas Relativamente a isto, é fácil.
É adoptar uma família num hospital. Inevitável.
É estar fechado 8 ou mesmo 16h com os mesmos.
Aquelas pessoas com vidas mais ou menos complicadas, completamente desaparafusadas dependendo do cansaço físico e emocional e mesmo assim gostar disso e saber lidar com isso.
É mexer o café com seringas. É abrir latas nas portas. É pensar no quão ridículo é o mindset da enfermeira sexy que está no hospital.
Oh meus amigos, isto de sexy não tem nada, e então se forem 5 da manhã nem vos digo, nem vos conto.
É resmungar pela conjuntura actual.
Ter uma vida nas mãos e não ser na maior parte reconhecido. Às vezes penso que seria mais fácil estar sentado numa secretaria a lidar com papéis, ou a limpar escadas, ou a arquitectar uma casa, ou a resolver tecnologias e/ou a inventar coisas novas!
No entanto quando escolhemos aquilo que somos e queremos ser,nada mais importa.
E então é aqui a parte do: que se lixe o fácil.
E não, não somos a classe mais espetacular do mundo.
Somos apenas "gente que cuida de gente"
Por isso, quando me voltarem a perguntar se dou picas, se sou sexy, se a vida de enfermeiro é top e cheia de folgas...perguntem me antes se realmente vale a pena a pica que isto dá depois de 4 anos a estudar (fora o resto) mais formações, especialidades, investimentos pessoais, aborrecimentos, horas de sono perdidas, horas e horas de vida perdidas para ouvir e responder a estas baboseiras.
E eu respondo: dá.
E sim, somos todos malucos por gostarmos e continuarmos nisto, desta forma.
Feliz dia aos melhores de sempre.
Os meus colegas.
Um dia, este dia, ainda fará mesmo sentido!
SFC

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