enfermeira, momentos, vida

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Enfermeira Alucinada

Pequenas histórias da vida de uma enfermeira... pequenos relatos que nos fazem rir, sorrir, reflectir... um momento de desabafo

Enfermeira Alucinada

Pequenas histórias da vida de uma enfermeira... pequenos relatos que nos fazem rir, sorrir, reflectir... um momento de desabafo

28
Mar18

Ambulância versus Motorizada

Mamã Tranquila

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Serviço de urgências de um hospital português, sitio no oeste, à uns anitos a trás, chega uma senhora de idade avançada com os bombeiros da localidade, tinha se sentido mal e caiu, fazendo um traumatismo craneano.

Apesar de estar consciente e orientada, apresentada uma dimunuiçao da força muscular, precisando de exames complementares mais precisos, logo teria de ser deslocada até um hospital em Lisboa para fazer TAC e ser observada pela neurologia.

Dialogo entre bombeiro e medica:

Dra - Bem está tudo tratado, vamos transporta a utente para S.José.

Bombeiro - Muito bem, Dra. Já agora quer que vá numa medicalizada ?(ambulancia com mais equipamento e normalmente com acompanhamento de medico e/ou enfermeiro)

Utente - (aos gritos) - POR FAVOR NA MOTORIZADA NÂO...... SE NÃO É QUE ME PARTO TODA

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22
Mar18

À minha espera

Mamã Tranquila

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 Provavelmente, o meu contacto com a morte mais bonito de sempre, se assim o podemos sentir.

Naquela altura trabalhava na enfermaria de cirurgia geral, deve ser uns dos locais depois de uma medicina onde nos confrontamos com a morte quase diáriamente, nem sempre é fácil mas acabamos por nos habituar.

Então, esta pequena história, começa numa pequena sala, ao qual chamavamos de SO (sala de observação), para onde iam utentes que tinham tido cirurgias mais complexas e precisavam de cuidados mais especificos, tipo uma mini unidade de cuidados intensivos.

Tinha acabado de receber o turno e estava a fazer manhã, nesse dia tinha apenas 2 utente no SO, uma senhora e um senhor. A senhora tinha sido intervencionada a uma neoplasia (cancro), mas já em estado avançado e o senhor era o seu 3 dia pós operatório de uma cirurgia ao intestino, por neoplasia também.

Ora com 2 utentes, tinha mais tempo para prestar cuidados de qualidade, e quando acabei de tratar do senhor juntamente com a auxiliar, fomos tratar da senhora. Ela era uma pessoa muito tranquila e super carinhosa no seu diálogo. Depois de fazermos a sua higiene e como tinha as pernocas muito inchadas, resolvi estar um pouco mais com ela a fazer uma massagem e drenagem dos mesmos que ela agradeceu pois nunca ninguem tinha tido tempo para estar ali com ela. Ficando confortavel o turno foi passando até que terminou e eu vim me embora.

No dia seguinte, voltei para fazer tarde, novamente para o SO, e a senhora ali se mantinha  e mal eu cheguei, disse:

-Sra Enfermeira, será que hoje posso ter o mesmo tratamento de ontem? As minhas pernocas agradacem... - sorrindo

Desta vez tinha a sala cheia, 4 utentes um deles ventilado.... menos tempo disponível, mas respondi:

- Claro, assim que tiver um tempinho, tratamos delas.

Deviam ser as 22h, quando me sentem na sua cama e lhe fiz a massagem. Que voltou a agradecer carinhosamente, com um sorriso nos lábios.

O tempo, foi passando a senhora foi transferida para a enfermaria e acabou por ter alta.

Numa noite de serviço, fiquei escalada na enfermaria de mulheres e depois de receber o turno ia sempre ás salas para ver as pessoas antes de começar a preparar a medicação. Lotação esgotada nessa noite 2 salas cada uma com 8 senhoras, mais uma sala de cirurgia ambulatória com mais 6 utentes, fazendo as contas 22 nos total.

Ao entrar na sala do meio, qual é o meu espanto, lá estava ela, a mesma senhora que esteve comigo no SO.

Vira-se para mim e disse:

- Olá, voltei... vim só para me fazer a sua famosa massagem...

Eu comecei a rir e disse:

- Bem estou a ficar boa nisso, se calhar vou mudar de profissão.

Sra - Quando pode vir aqui me dar a massagem?

Eu - Venho assim que acabar de preparar a medicaçao e dar a "volta" ao serviço (verificar como estão as outras utentes).

Assim foi  demorei cerca de 2 horas mais coisa menos coisa, eram quase duas da manhã quando fui ter com ela. Desta vez além das pernocas, massagei um pouco as costas. Já sonolenta, disse-me:

-Obrigada mais uma vez... - e olhando para mim - Não quero dormir, tenho medo...

Eu - Medo? De quê?

Sra - De não acordar mais...

Eu - Não tenha medo.... Eu estou aqui pode adormecer.

Sra - Fica aqui comigo?- Dando me a mão

Eu - Fico.

Sorriu

Fechou os olhos...

E nunca mais abriu...

Até hoje, tenho a certeza que esteve á minha espera para morrer...

Foi tão suave, tão tranquilo, quase bonito...

Por vezes, quando penso na morte, esta senhora vem me sempre á memória, como uma boa recordação, provavelmente a mais bonita no que respeita a este tema obscuro....

 

17
Mar18

Meter o nariz onde não é chamada

Mamã Tranquila

Era verão e altura de férias, eu anda a fazer os domicilios de uma colega, nessa manhã vou a casa do Sr MS, um senhor com uma demência e que era cuidado por uma sobrinha.

As condições da casa não eram as melhores, mas pelo menos era limpinha (coisa que por vezes não acontece). O Sr MS tinha lesao na pele no cóccix, o que nós chamamos de úlcera de pressão e no português vulgar a escara.

Chego e começo a preparar-me para realizar penso, a cama dá-me pelos joelhos logo tinha de estar toda corcunda, a sobrinha retira a fralda e sai.

E assim começo, ali toda inclinada, bem juntinho ás nádegas do utente....

Ali estou eu a fazer o meu trabalho num dia de calor horrivel, a sentir aquela gotinha de suor a escorrer pelas costas, quando de repente um som turbulento sai do orificio do Sr MS, assim, direitinho às minhas fuças.

 Anestesiou-me durante uns segundos, pois nem eu queria acreditar no que tinha acontecido, quando me consegui endireitar, agradeci que pelo menos não trazia perfume a acompanhar.

Ainda meia aluciada, o Sr MS virou e disse:

- Fresquinhos, fresquinhos....

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Não consegui suster a gargalhada, mesmo estando um calor abrasador achei que o senhor me quiz oferecer uma lofada de ar fresco...

15
Mar18

Como tudo começou

Mamã Tranquila

Lembro me em miúda passar pelo o hospital e adorar o cheiro dele, algo me dizia que ali seria um local familiar.

Assim foi, tornei me enfermeira, fiz o meu curso numa escola militar e adorei, provavelmente a melhor escola que alguma vez estive.... histórias alucinantes.

Depois vim para a vida civil, trabalhei sempre em meio hospitalar e à cerca de 5 anos, sai e estou agora numa USF (unidade saúde familiar), diferente mas as loucuras continuam....

Já lidei com quase tudo, desde o inicio da vida ao fim dela. 

Sou enfermeira de paixão, mas tenho dias que acho que isso não fasta.

No entanto, as pequenas peripécias que nos acontecem, vale a pena andar cá.

 

Consultório médico, utente entra no gabinete e começa a conversa:

Dr - Bom dia, D.X, como tem passado?

D.X - Ou Sr Dr, isto não tem andado nada bem...

Dr - Então o que se passa ?

D.X - Dores Dr muitas dores. Não passa com nada eu já não aguento, é muito chato.

Dr - E onde tem as dores?

D.X - Olhe é aqui na minha cr7...

Dr - Onde??!!

D.X - Aqui Dr (apontando para o pescoço) na cr7....

 

Mal sabe o Cristiano Ronaldo que a Sra tem um pedaço dele, ainda lhe vem cobrar direitos de imagem.

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